
Com um inseparável chapéu de palha pequenino na cabeça, corpo franzino, voz mansa e uma roupa bem colorida, ornamentada de cordões e anéis, o músico Benedito do Rojão se prepara para lançar o quarto CD de sua carreira. O cantor, um dos principais nomes da cultura paraibana, que mantém a essência de Jackson do Pandeiro, pretende apresentar o novo trabalho na Casa do Poeta antes do período junino. O novo CD, intitulado de Dançando com ela, traz músicas inéditas compostas pelo próprio Benedito. São 14 faixas, entre cocos, xaxados e rojões.
Benedito aposta que algumas das canções poderão fazer sucesso na temporada junina, como Se Deus quiser eu vou, Convite de Mariana, Coco em Itamaracá e Me leva morena. Produzido pelo próprio Benedito e gravado no estúdio de Vaguinho do Cavaquinho, o CD tem a participação dos poetas Antônio Sobrinho e Sebastião Marques. O artista é uma das expressões da música nordestina, que preserva a chamada música de raiz. Seguidor dos passos de Jackson, Benedito passou 35 anos a margem do mercado fonográfico e da mídia, só sendo redescoberto há pouco mais de sete anos.
Afastado da carreira artística pela dura luta pela sobrevivência, Benedito continuou a fazer pequenas apresentações e nunca deixou de compor músicas no estilo coco-de-roda, rojão, xote, baião e outros gêneros regionais. "Eu tocava em casamentos e aniversários nos sítios. Em locais que nem energia tinha. Era no candeeiro", conta.
Redescoberto em dezembro de 2002 por um grupo de músicos campinenses, foi convidado a se apresentar em um evento promovido pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). E reapareceu no mercado em grande estilo com o CD Tem coco na Paraíba. O albúm, financiado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (Fumic), teve a participação de Amazan, Abdias, Inaudete Amorim, João Gonçalves e Sandra Belê. Daí para frente Benedito não parou de gravar e compor.
O artista conta que antes de entrar no mercado foi testado. Teve que realizar, por exemplo, cinco shows degraça na UFCG até convencer o grupo de professores do seu talento e, assim, ganhar a autorização para gravar o primeiro CD no estúdio da instituição. Depois, foi "cavando" seus espaços e revelando para a região um talento escondido durante décadas.
Manifestos
Os trabalhos de Benedito não se caracteriziam apenas pelo ritmo que o artista impõe, mas nas letras bem escritas. Como instrumentista e cantor-compositor de conteúdo, Benedito faz rimas com a nossa gente ligando o passado ao presente. As músicas dele são verdadeiros manifestos vivos de experiências, sonhos e militâncias poéticas em defesa de tradições sertanejas. As músicas de um cancioneiro popular, que luta pela permanência de sua cultura, estão na maioria de suas letras, que falam sobre viagens e histórias vividas pelo artista em cidades interioranas e forrós cheios de dengo feminino e causos únicos.
Ele faz questão de ressaltar que não copia a obra de Jackson do Pandeiro, mas apenas mantém a mesma linha do "Rei do ritmo". "Eu não procuro copiar Jasckon mas preservar a cultura defendida por ele" enfatizou. Além do CD Tem coco na Paraíba, lançado em 2003, Benedito do Rojão lançou os discos Se Deus quiser eu vou e Dançando em Campina.
João Benedito Marques nasceu em 1938, no Sítio Juá, em Catolé de Boa Vista, antigo distrito de Campina Grande. É contemporâneo de Jackson do Pandeiro, com quem chegou a compor duas músicas em parceria. Trabalhou na Rádio Borborema e, em 1966, apresentou-se no primeiro programa transmitido pela TV Borborema. Benedito do Rojão aprendeu a tocar pandeiro aos 12 anos e aos 13 "tirou" sua primeira festa em companhia do sanfoneiro Biró, com quem tocou junto durante anos.
Fonte: Diário da Borborema